Burnout, humanização e qualidade assistencial pautam participação da AMIB no LIVES 2026
A saúde mental dos médicos intensivistas, os avanços da pesquisa clínica e a humanização da assistência estiveram entre os temas debatidos pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) em duas sessões realizadas na tarde da última terça-feira (13.10), durante o LIVES 2026, congresso da European Society of Intensive Care Medicine (ESICM), em Lisboa, Portugal. As apresentações reuniram estudos e experiências brasileiras voltados à melhoria do cuidado ao paciente crítico.
Saúde mental dos intensivistas em destaque
Um dos pontos centrais das sessões foi a saúde mental dos profissionais que atuam nas unidades de terapia intensiva (UTIs). O presidente do Conselho Consultivo da AMIB, Ederlon Rezende, apresentou os resultados do Inquérito Nacional sobre a Força de Trabalho Médica das UTIs Brasileiras, desenvolvido pela AMIB em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM). Divulgado em setembro, o levantamento apontou que quase metade dos médicos que atuam em UTIs brasileiras apresenta alto nível de esgotamento emocional, além de identificar problemas relacionados às condições de trabalho desses profissionais.
A apresentação integrou a sessão "Medicina Intensiva brasileira: dados, evidências e pessoas", dedicada à produção científica nacional e aos desafios contemporâneos da especialidade. "Foi muito bom mostrar os resultados do nosso recente estudo sobre a prevalência de burnout em intensivistas brasileiros. É um estudo importante, que proporcionou uma boa discussão sobre um assunto cada vez mais relevante e que preocupa os intensivistas em todo o mundo", afirmou Ederlon.
Segundo o médico, o debate reforçou a necessidade de enfrentar os fatores ligados à organização do trabalho, em vez de concentrar as estratégias de prevenção do burnout exclusivamente em características individuais dos profissionais. "Hoje sabemos que cuidar das condições de trabalho tem mais importância até do que questões individuais, como qualidade de vida e resiliência, que durante muito tempo foram consideradas as principais formas de enfrentar o burnout", explicou.
Para Ederlon, a troca de experiências entre pesquisadores de diferentes países também pode contribuir para a construção de respostas conjuntas ao problema. "Esse tipo de discussão abre possibilidades de colaboração internacional e de ações de alcance mundial para chamar a atenção da sociedade para a importância de cuidar de quem cuida do paciente grave", acrescentou.
Ciência, humanização e qualidade
Outra sessão temática da AMIB, intitulada "Para além da sobrevivência: lições da Medicina Intensiva brasileira", reuniu apresentações sobre ciência translacional, humanização do cuidado e avaliação de resultados das UTIs.
A pesquisadora Patricia Rocco abordou a contribuição da ciência translacional para aproximar as descobertas produzidas em laboratório das necessidades dos pacientes críticos, destacando a relação entre pesquisa experimental e prática assistencial.
O presidente da AMIB, Cristiano Franke, apresentou a palestra Humanizing Intensive Care: caring beyond survival, dedicada à humanização da Medicina Intensiva e à necessidade de considerar outras dimensões do cuidado aos pacientes graves além da sobrevivência.
Na sequência, o médico Marcio Soares tratou da importância dos dados para a melhoria da assistência, com a palestra Brazilian ICU Registry: measuring what really matters. A apresentação destacou o desempenho do Programa UTIs Brasileiras e o uso de registros clínicos para acompanhar indicadores de qualidade, avaliar resultados das UTIs e orientar decisões de gestão e assistência.
Fonte: Conteúdo produzido a partir de material divulgado pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), entidade que representa a especialidade no país e que participou do LIVES 2026 — congresso anual da European Society of Intensive Care Medicine (ESICM), realizado em Lisboa, Portugal, entre os dias 10 e 14 de outubro de 2026. As informações, declarações e dados citados são de responsabilidade da fonte, com base nas sessões "Medicina Intensiva brasileira: dados, evidências e pessoas" e "Para além da sobrevivência: lições da Medicina Intensiva brasileira", apresentadas em 13 de outubro de 2026.
